[PobreTabémSeDiverte] Hora de morder a língua: se tinha uma coisa que me irritava loucamente nos áureos tempos da adolescência eram aqueles blogs/fotologs e outros espaços virtuais usados como diário. "Hoje eu vi TV e comi chocolate". "Amanhã vou ao cinema com o Patrick [jovens têm esse nome, mas velhos não. Já reparou?]". "Festa na casa da, Rê, sensacional. Sons muuuito ecléticos!". "Eu e meus amigos na praia. Só curtição e azaração!".
(Se vai fazer uma coisa dessas, tente a receita de minha querida irmã Alba: cotidiano com visão divertida. Aí sim. E é verdade, eu chamo Adriele e ela Alba. Isso porque você não conhece o nome das outras três. Sim, somos em cinco, sendo quatro com nome bem "estranhinho")
Urtiguisses e merchans à parte, explico o porquê desse começo, um tanto, confuso. O fato é que vou contar meu fim de semana. Sim, leitor, desculpe-me, mas é por uma boa causa.
Se tem uma coisa que compromete a saúde mental do endividado é essa coisa insana de não poder gastar um centavinho sequer. E se é proibido gastar uma fração de Real, 30 paus no bar é, no mínimo, impraticável. E quem mora em São Paulo e mediações sabe como é compricadin mostrar o sorriso em algum lugar sem gastar esse valor.
Posintão. Se cachaça é caro por causa da alta procura, tem uma coisa que é bem em conta por conta da demanda inversamente proporcional: programas culturais. Não vou falar para você passar a tarde de sábado no Ibirapuera - apesar de ser uma linda ideia - porque isso é muito clichê. E se fosse para você ler o que já sabe, não viria aqui, correto?
Mas o fato é que fui com meu respectivo neste sábado assistir a uma amostra do inigualável Hitchcok. Ideia genial: por R$ 1 no Cine Olido, centro, ou zero real - eu disse ZERO REAL - na Biblioteca Pública Roberto Santos, no Ipiranga. Veja mais aqui.
Vimos Frenesi, que conta a história de um serial killer que mata a mulherada por enforcamento com gravatas. Suspense + pressão psicológica + humor (sim, humor) + enredo inteligente + fotografia sensacional. O local escolhido, pela sessão e horário, foi o Cine Olido, pertin da estação São Bento do metrô. A cadeira não era lás aquelas coisas e o cheiro do local era, digamos, peculiar. Mas valeu muito a pena. R$ 1 + o transporte, dá uns R$ 5. E se você for no Ipiranga, pode ver um milhão de filmes por nada.
Fique esperto: sempre há programas culturais pra se fazer em Sampa. basta perder o preconceito e mandar ver nas oportunidades
Sua missão de hoje é: recarregar o bilhete único para assistir um filme a R$ 1 e ainda nem pagar a passagem de volta para casa
Caio? Que Caio?
Há 13 anos